Chegamos em Brasília em maio de 1960, para morar e estudar. Viemos para a inauguração e vimos uma festa linda com muitas atracões como fogos, churrasco distribuido na praça dos 3 poderes para todo mundo, um teatro, um concerto, uma parada com todos os operários e carros usados na construção, os militares de todas as armas desfilaram.

Houve missa e eu vi JK chorar sem querer compulsivamente, como se estourasse uma represa que estava muito cheia. Na primeira noite já jantamos no restaurante que ficava na esquina da igrejinha N.S. de Fatima acho que era IPASE, junto com engenheiros, operários, funcionários que já moravam aqui. A comida era boa e ali já fizemos as primeiras amizades. No dia seguinte fomos para o colegio que ficou com o nome da comissão do MEC que cuidou da criação dele - CASEB - Comissão de Administração do Sistema Educacional de Brasília. O colégio era feito de tábuas. A construção dele foi recorde para nos esperar já com professores, que foram escolhidos de todas as partes do Brasil num concurso feito no Rio de Janeiro em 1959. Andávamos pelos corredores estasiados. A primeira professora que chegou na nossa sala foi a de Ciências Naturais ou Biologia, chamava-se Nanea, era bonita, morena e nova. Levou-nos para uma excursão ao redor da escola e nos pediu para observarmos a natureza. Senti um soco no estômago. Eu nunca tinha atentado para as coisas que ela nos fez reparar.

As folhas das plantas eram duras, com espinhos para proteger a planta das intempéries vento, frio, calor e poeira.Lembrei-me das flores dos jardins mineiros tão delicadas e sensíveis. Depois veio a aula de D. Miriam, professora de desenho, depois D.Geni, prof. Aci, prof. Araberg, prof. Mac Dowel, prof. Gildo, prof. Nilda e prof. Hildebrand que era o diretor. Senti de imediato a diferença dos ensinos aqui. Era mais em cima do alunos. Deixavam claro que nós íamos criar uma cidade no planalto central de Brasilia, que deveríamos nos preparar para construir a capital mais bonita e inteligente do planeta. O clima era de entusiasmo, nacionalismo, orgulho do nosso Brasil.

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