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Maria Coeli nasceu em Belo Borizonte e vive em Brasília. É professora, Filósofa, Artista Plástica, Videasta e Poetisa. Tem duas filhas, quatro netos, um namorado e três cachorros.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A nossa família em Brasília são os amigos.


Chegamos em Brasília em maio de 1960, para morar e estudar. Viemos para a inauguração e vimos uma festa linda com muitas atracões como fogos, churrasco distribuido na praça dos 3 poderes para todo mundo, um teatro, um concerto, uma parada com todos os operários e carros usados na construção, os militares de todas as armas desfilaram.
Houve missa e eu vi JK chorar sem querer compulsivamente, como se estourasse uma represa que estava muito cheia. Na primeira noite já jantamos no restaurante que ficava na esquina da igrejinha N.S. de Fatima acho que era IPASE, junto com engenheiros, operários, funcionários que já moravam aqui. A comida era boa e ali já fizemos as primeiras amizades. No dia seguinte fomos para o colegio que ficou com o nome da comissão do MEC que cuidou da criação dele - CASEB - Comissão de Administração do Sistema Educacional de Brasília. O colégio era feito de tábuas. A construção dele foi recorde para nos esperar já com professores, que foram escolhidos de todas as partes do Brasil num concurso feito no Rio de Janeiro em 1959. Andávamos pelos corredores estasiados. A primeira professora que chegou na nossa sala foi a de Ciências Naturais ou Biologia, chamava-se Nanea, era bonita, morena e nova. Levou-nos para uma excursão ao redor da escola e nos pediu para observarmos a natureza. Senti um soco no estômago. Eu nunca tinha atentado para as coisas que ela nos fez reparar.
As folhas das plantas eram duras, com espinhos para proteger a planta das intempéries vento, frio, calor e poeira.Lembrei-me das flores dos jardins mineiros tão delicadas e sensíveis. Depois veio a aula de D. Miriam, professora de desenho, depois D.Geni, prof. Aci, prof. Araberg, prof. Mac Dowel, prof. Gildo, prof. Nilda e prof. Hildebrand que era o diretor. Senti de imediato a diferença dos ensinos aqui. Era mais em cima do alunos. Deixavam claro que nós íamos criar uma cidade no planalto central de Brasilia, que deveríamos nos preparar para construir a capital mais bonita e inteligente do planeta. O clima era de entusiasmo, nacionalismo, orgulho do nosso Brasil.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Irmãos nesta vida



Nasci e dai um ano certinho nasceu o Cláudio Antônio. Louro, bonito e birrento. Fazia birra sempre. Tia flor, irmã da mamãe vivia adulando-o para comer, para dormir. Um dia depois do banho, ela tirou todas melecas do Cláudio e colocou numa toalha e o Cláudio pegou todas melequinhas e botou tudo dentro do nariz de novo. Depois de um ano nasceu Fernando José - quietinho conversador comilão. Brincava muito sozinho e tinha um amigo invisível.
Eu morria de inveja deste amigo. Cheguei a vê-lo duas vezes, era uma criança. Uma dia o Fernando depois de uma briga com Cláudio fugiu de casa, com um amiguinho de carne e osso chamado Dantinho. desceu a Rua São Manoel e foi parar na Rua onde passava um trem, atravessaram a Rua Jacui que era bem movimentada e foram descendo e descendo. Quando mamãe deu pela falta saiu correndo com Dona Maria do Seu Dante atrás dos dois meninos de três anos.
Maria Ângela nasceu quatro anos depois de mim. Era moreninha, tinha olhos enormes negros e expressivos. Pensei: até que enfim ganho uma irmazinha para brincar. Mas, custou eu matar esta vontade. Quando ela tinha cinco anos começamos a brincar de casinha com nossas bonecas, mas eu já não queria mais brincar com bonecas, já tinha conhecido a leitura que me atraia muito. Depois de oito anos nasceu João Lincoln com quatro quilos tão bonito que dava gosto pajear. Eu mal aguentava o peso dele. Mamãe pedia para eu colocá-lo na cama, dar comidinha. Um dia mamãe o levou ao medico para perguntar porque ele não falava. Aguardamos todos o resultado desta consulta. O medico disse que ele não tinha nada que simplesmente não gostava de falar. E este meu irmão é assim até hoje caladão só abre a boca quando é muito necessário falar. Tem um coração do tamanho de um bonde.
A Rita Heloísa veio quando eu estava no Colégio Santa Maria. Fui a capela e pedi que este nenê fosse bem parecido comigo. Foi dito e feito. Rita se parece muito comigo. Gosto muito dela. Cuidei dela mais do que dos outros. Mamãe e Papai viajavam muito, papai já era deputado e eu ensinei a Rita todas as cores, os pintores mais importantes e ela aprendeu a ler rápido comigo como professora da primeira turma de alunos da Escola de Aplicação da Escola Normal de Brasilia em 1961. Somos seis. Unidos e cada um leva sua vida com muita independência. Sei que fomos muito bem educados. Enquanto nós íamos crescendo, em janeiro de 1948 nossos pais criaram uma obra social que se chamou na época Granja Escola "Caio Martins", para receber crianças desvalidas doentorno de Belo Horizonte.